XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco

Entre o dia 06 a 15 de outubro, ocorreu a XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, no Centro de Convenções de Pernambuco (das 10h às 22h). O tema central deste ano foi “Opinião ou Mimimi”, bem propicio a nossa realidade atual que, com a ajuda das mídias digitais/redes sociais, encontramos uma sociedade cada vez mais crítica, polêmica, e preparada para julgar tudo e todos. Um tema bem oportuno, hein? Importante para propor um diálogo e uma reflexão sobre o que tanto estamos julgado no dia a dia. Será que tudo é realmente apenas opinião, ou há um belo exagero composto por “mimimis”? A proposta do evento vem com o seguinte subtema como slogan: “Quem lê mais, entende mais”. Então vamos aos livros…

Infelizmente, a estrutura do evento deixou muito a desejar, mais uma vez. Parece que a cada nova edição, o local vai ficando menor. Editoras presentes como expositoras? Das grandes, só vi a Leya (que montou seu estande de forma bem discreta, a propósito) e a Saraiva. Sobre alimentação, encontramos pouquíssimas opções, uma área bem menor do que a da edição passada. Além de que boa parte dos estandes eram de artesanatos, o que o público começou a falar que estava mais para uma FeneArte do que para um evento literário. Acredito que há espaço nesse evento para os dois, porém, a busca maior deveria ser por editoras e expositores voltados aos livros.

O auditório de Lançamentos ficava no meio da feira literária, sem estar em nenhuma sala isolada, com alguns poucos lugares para a plateia sentar (não chegava nem a 10 “cadeiras”). O que prejudicou muitos autores que foram fazer algum lançamento lá, afinal, além do barulho que atrapalhava bastante por ser um local aberto da feira, a quantidade de espectadores foi bem pequena, e a dispersão foi grande. A programação também não manteve os horários, o que atrapalhou muito os autores. Realmente lamentável.

O Auditório Círculo das Ideais ficou em uma pequena sala, porém, muitas pessoas presentes no evento reclamaram da divulgação da programação feita lá. Além do grande escaço de convidados de nome no mercado. Não desmerecendo os que estavam lá, mas a falta de cuidado em trazer nomes de autores queridos da atualidade pelos leitores deixou, mais uma vez, o público decepcionado. O que levanta mais a hipótese de que existe um enorme preconceito com o leitor do Nordeste. Sim, preconceito. Afinal, este ano tivemos  a primeira Comic Con NE no mesmo local que ocorreu a XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, e foi um sucesso incrível! Então, não há uma justificativa concreta e convincente que explique a falta de certos autores e das grandes Editoras na Bienal do livro de Pernambuco.

Nos últimos três dias da bienal do livro de PE, ocorreu o I Seminário Nacional em Escrita Criativa de Pernambuco, com um pessoal bacana da PUC – RS. O evento aconteceu no Auditório Círculo das Ideais, trazendo, finalmente, um espaço importante para os autores locais (ou futuros autores) trocarem ideias, conhecimentos e dividirem experiências. Participei de quase todas as palestras/oficinas/workshop desse seminário. Alguns problemas ocorreram sim, mas já era esperado, já que é a primeira vez que é realizado tal evento aqui. De todos os pontos negativos, esse foi um dos poucos positivos que encontrei.

Para não dizer que só teve uma coisa boa, trago mais um ponto positivo: Os preços dos livros vendidos! Tirando poucos estandes que estavam com os preços altos ou iguais aos das livrarias (como a Saraiva, por exemplo), a grande maioria tinha produtos literários por um valor bem acessível. Havia um estande que vendia produtos por apenas R$ 1,00, vários com livros por R$ 10,00, e outros que tinham coisas de R$ 5,00 a 30,00 reais.  Pela primeira vez, vi uma bienal do livro com preços bem legais. Fiz a feira completa e quase fui a falência! (Hahahaha…).

Por último, gostaria de destacar o espaço da Bienal Geek (Távola Nerd), que foi um grande ponto positivo para o evento. As brincadeiras, palestras e exibições foram um sucesso total! Era fácil encontrar sempre o ambiente cheio, com muita gente interagindo, participando e andando por ali fantasiada de algum personagem de filmes, livros e quadrinhos. Uma parte bem Comic Con da Bienal do Livro que, sem dúvida, foi incrível! Mas, infelizmente, teve pouco investimentos, sem apoio de grandes editoras e artistas da área. Foi tudo feito mesmo com dedicação e amor por uma galera que é fã desse gênero literário (conteúdo geeks em geral, que envolve literatura fantástica, HQ’s, ficção científica, e etc.).

Poderia ter sido melhor? Sim. Muito melhor! É uma pena que ainda encontramos esse preconceito com o Nordeste. Vejo um público forte nessa área literária aqui. Um público carente de eventos grandes, com apoios das editoras, e dos artistas. O evento traz o nome de ‘XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco’, e até agora não vi nada que realmente justifique a parte “Internacional” do nome (além das vendas de livros estrangeiros traduzidos para o português). Cadê os autores de fora? De outros estados? De outros países? Que estão “bombando” no mercado? É… esses só podemos ver em outras bienais do livro, como as de SP e as do RJ, por exemplo. Por enquanto, continuamos órfãos de eventos literários de porte grande por aqui. Triste realidade literária do nordeste.

Confira algumas fotos da XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco:

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